A fanfarra
O anúncio, em discurso de tomada de posse, da liberalização da venda de medicamentos que não carecem de receita médica é um gesto populista e manhoso.
A medida, em si, é relativamente consensual e tem o toque de afrontamento corporativo que encanta o cidadão comum, sem no fundo confrontar grande coisa… a ANF tem um peso diminuto nos corredores do poder, mas é suficientemente poderosa e barulhenta para dar realce ao beau geste.
Por esse mesmo motivo, foi escolhida como cartão de visita. Tinha os condimentos q.b. para encher a vista, entreter os media e gerar opiniões admirativas sobre os testículos governamentais.
Independentemente do acerto da decisão, a verdade é que é despropositada num discurso de tomada de posse, em que se justifica mais enunciar metas do que tirar coelhos da cartola. Coelhos que definem o rumo da discussão política, dando tempo ao ilusionista para tratar dos espelhos. Almas caridosas alegarão que se tratou de uma mera manifestação de vontade empreendedora, para encorajar o país na certeza da dinâmica reformista por que clama. Pois… já pensaram, ó indulgentes, na quantidade de medidas bastante mais importantes do que a possibilidade de comprar aspirinas em lojas de conveniência que Sócrates podia ter debitado? Só que não eram coelhos tão fofinhos, o que deixaria a opinião pública menos sensibilizada. Ou então tinham cartolas mais coriáceas. Vai daí, chapeau…
0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home